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Mercado de IA chega a US$ 4,2 tri, mas dinheiro fica com poucos

Nexo Atualizado 10 maio 2026
Grfico financeiro e dados de mercado mostrando crescimento da indústria de IA

O Citigroup elevou sua projeção para o mercado global de inteligência artificial de US$ 3,5 trilhões para US$ 4,2 trilhões até 2030. O valor representa um salto de 20% sobre a estimativa anterior. Mas o que importa não é o valor total, mas sua distribuição.

Quase metade desse total, US$ 1,9 trilhão, virá da chamada IA empresarial. São sistemas embarcados em processos corporativos: automação de tarefas, agentes de software, redução de custos operacionais. O consumidor individual deixou de ser o motor principal do setor.

O problema é que entregar IA em escala exige dinheiro. Muito dinheiro.

Só em 2026, Meta, Alphabet, Microsoft e Amazon projetam investir US$ 600 bilhões em infraestrutura — chips, data centers, redes de armazenamento e refrigeração. É o maior ciclo de investimento coordenado da história da tecnologia. E quem não tem caixa para isso simplesmente não compete.

A barreira de entrada está em outro patamar.

Não basta ter um bom modelo de IA. É preciso acesso a capacidade computacional, contratos de nuvem bilionários, cadeias de suprimento de chips. Isso explica por que o mercado se concentra nas mesmas empresas que já dominavam a internet — Amazon, Google, Microsoft — e em algumas candidatas ao clube, como OpenAI e Anthropic.

A disputa por insumos básicos da IA se tornou uma questão geopolítica.

Como aponta o Itaú Asset em sua análise de cenário macro, a inteligência artificial deixou de ser um tema setorial. Ela agora ocupa o centro do debate macroeconômico. A briga por energia, chips e terras raras conecta tecnologia, inflação, política monetária e câmbio.

Os EUA e a China disputam a liderança em chips avançados e computação em nuvem. Cada movimento de tarifas, sanções ou subsídios afeta diretamente a capacidade de escalar IA. O setor virou extensão da política externa.

O efeito dessa concentração geopolítica chega de forma ambígua à América Latina.

A McKinsey estima que a adoção de IA na região pode elevar a produtividade entre 1,9% e 2,3% ao ano até 2030. O valor econômico adicional potencial é de US$ 1,1 trilhão a US$ 1,7 trilhão por ano — quase metade do PIB do Brasil.

O problema é que apenas 6% das organizações latino-americanas reportam criação significativa de valor com IA, segundo a mesma consultoria. Um quarto mal começou. O resto está parado.

A concentração não é necessariamente um problema para quem está fora do centro. Ela pode abrir janelas: demanda por energia, commodities e metais estratégicos favorece países como o Brasil. A questão é se a região terá capacidade de transformar insumos em tecnologia, e não apenas exportar matéria-prima para quem domina a cadeia.

O mercado de IA vai a US$ 4,2 trilhões. O dinheiro, por enquanto, segue concentrado. Quem não se posicionar agora pagará mais caro para fazê-lo depois.

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