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Mercado de IA de US$ 4,2 trilhões expõe concentração econômica

Nexo Atualizado 10 maio 2026
Data center com servidores iluminados representando infraestrutura de inteligência artificial

Mercado de IA em US$ 4,2 tri expõe concentração econômica

O Citigroup elevou sua projeção para o mercado global de inteligência artificial a US$ 4,2 trilhões até 2030. O número veio depois de revisar a estimativa anterior, de US$ 3,5 trilhões. O motivo: adoção empresarial mais rápida que o esperado.

Desse total, US$ 1,9 trilhão virá da IA empresarial. São sistemas de codificação, automação de tarefas e agentes de software embarcados em processos corporativos. O consumidor individual, que movimentou o primeiro ciclo da internet, deixou de ser o centro.

A McKinsey estima que a IA generativa pode injetar entre US$ 2,6 trilhões e US$ 4,4 trilhões por ano na economia global. O estudo, de 2023, enumera 63 casos de uso em 16 funções empresariais. A consultoria estima reduções de 20% a 45% em custos operacionais, dependendo da função automatizada.

O problema é que esse ganho de produtividade não se distribui de forma homogênea.

A conta é simples. Entregar IA em escala exige data centers, chips especializados e capacidade de nuvem. Só em 2026, Amazon, Google, Microsoft e Meta preveem investir US$ 600 bilhões em infraestrutura — mais que o PIB de Israel.

Quem não tem caixa para isso não compete. O mercado se fecha para um grupo cada vez menor de empresas.

A OpenAI, criadora do ChatGPT, reconheceu publicamente o problema. Em abril, a empresa divulgou um documento com propostas para mitigar o impacto da IA no emprego. O título: “Política Industrial para a Era da Inteligência”.

Entre as ideias estão a semana de trabalho de quatro dias sem redução salarial, a criação de um fundo público de riqueza alimentado pelos lucros da IA e a taxação de trabalho automatizado — o chamado “imposto sobre robôs”.

A OpenAI sugere ainda que o acesso a ferramentas de IA seja tratado como direito público básico — um paralelo com alfabetização e energia elétrica. E que o sistema tributário migre da renda do trabalho para lucros corporativos e ganhos de capital.

A ironia é difícil de ignorar. A empresa que lidera a corrida da IA pede que governos se preparem para o que ela mesma está criando.

Os números do Citi indicam que o mercado de IA vai crescer. Os da McKinsey mostram que a produtividade vai disparar. E o documento da OpenAI sugere que quem vai pagar a conta não é quem está lucrando.

A pergunta que fica é: em quanto tempo o custo político disso vai superar o retorno econômico?

A concentração de ganhos e a externalização dos custos sociais têm data de validade. O mercado de IA vale US$ 4,2 trilhões. A pergunta é se esse valor será compartilhado ou contestado.

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